Estado nigeriano abre investigação a hospital após morte de filho da escritora Chimamanda Adichie

O bebé de 21 meses faleceu num hospital da capital nigeriana onde se encontrava sob cuidados médicos na sequência de uma infeção não especificada. A investigação surge após a autora acusar a instituição hospitalar de "negligência grave", incluindo um alegado excesso de anestésico.

RTP /
Foto: Gregor Fischer/DPA via AFP

As autoridades do Estado de Lagos, na Nigéria, ordenaram a abertura de uma investigação a um hospital privado da capital, de modo a apurar as circunstâncias da morte do filho da escritora Chimamanda Ngozie Adichie. A investigação foi anunciada depois de a autora ter acusado publicamente a instituição de “negligência grave”, alegando, entre outras falhas, a administração de uma dose excessiva de anestésico ao bebé.

Nkanu Nnamdi, de 21 meses, encontrava-se sob cuidados médicos no Euracare Multi-Specialist Hospital na sequência de uma infeção não especificada, após uma aparente constipação, onde faleceu no passado dia 7 de janeiro.

Nkanu era um de dois gémeos, fruto da relação da escritora com o médico Ivara Esege.

O menino foi submetido a uma ressonância magnética e a outros exames no dia do óbito, que ocorreu na véspera da sua transferência para o hospital Johns Hopkins, em Baltimore, nos Estados Unidos da América para tratamento adicional.
A premiada escritora reside atualmente no país norte-americano e encontrava-se na Nigéria de férias com a família.

Em declarações à agência France-Presse esta quarta-feira, Omawumi Ogbe, porta-voz da família, atribuiu a culpabilidade da morte de Nkanu às “falhas clínicas devastadoras” do hospital privado em Lagos, acrescentando que aguarda “com impaciência a verdade e o reconhecimento das responsabilidades”.

A família sustenta que o falecimento poderá estar ligado a um excesso de anestésico administrado durante os procedimentos médicos. Até ao momento, a instituição hospitalar não respondeu aos pedidos de comentário da France-Presse.

Num comunicado oficial, o Governo do Estado de Lagos lamentou a “perda dolorosa e irreparável” da autora e classificou a morte de uma criança como “uma profunda tragédia”. Reiterando o seu “compromisso” com a justiça, o executivo salientou que “mantém tolerância zero para negligência médica ou conduta antiética em qualquer instituição de saúde que opere no Estado”.

O governador da capital, Babajide Sanwo-Olu, determinou que a Agência de Monitorização e Acreditação de Instituições de Saúde inicie “de imediato uma investigação completa, independente e transparente” sobre o caso.

Os cuidados de saúde na Nigéria são amplamente apontados como insuficientes, levando a que cidadãos com mais recursos financeiros, incluindo dirigentes políticos, procurem tratamento no estrangeiro.

O ministro da Saúde do país afirmou no mês passado que cerca de 850 mil recém-nascidos e crianças com menos de cinco anos morrem, todos os anos, por causas evitáveis na Nigéria.

Dados do Banco Mundial indicam que, a nível global, o país africano tem a segunda maior taxa de mortalidade infantil de crianças com menos de cinco anos, ficando apenas atrás do Níger.

Apesar de ser a quarta maior economia de África, grande produtora de petróleo e gás, com uma cultura empresarial dinâmica e projeção cultural internacional, a Nigéria enfrenta carências significativas em infraestruturas básicas, como água, eletricidade e cuidados de saúde de qualidade.

Em 2024, o Governo revelou que entre 15 mil e 16 mil médicos abandonaram o país nos últimos cinco anos. Com uma população estimada em 220 milhões de habitantes, a Nigéria conta com cerca de 300 mil profissionais de saúde, dos quais apenas 55 mil são médicos, concentrados sobretudo nas grandes cidades.
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